
Fiz este simpático (?) tsuru durante a tarde de domingo, após decidir que alguns papéis de recado que iriam para o lixo poderiam tomar formas diversas - florezinhas, passarinhos, estrelinhas, coraçõezinhos e bichices inhas do naipe. Apesar de remeter a um pato, a um urubu ou mesmo a uma galinha preta e, provavelmente, a alguma espécie de despacho, o bichinho ao lado é símbolo de felicidade e sorte, e nasceu regado a nostalgia - pelas dobraduras impossíveis que eu inventava para bilhetes na época do colégio - e necessidade de fuga, mesmo que fosse por aquelas horas em que me dediquei a relembrar como diabos se procedia diante de uma dobra invertida e coisices assim bem próprias da arte do origami. Arte esta, aliás, que é, depois do ballet, a única capaz de me proporcionar a sensação de limpeza interior, como se durante a execução das dobras eu permitisse que uma imensa esponja de Bombril deixasse os sulcos e giros do meu cérebro um pouco mais asseados. Ficou um pouco de sujeira sim, mas é daquela sujeira que nem as baianas dedicadas que lavam a escadaria do Bonfim dariam jeito.
Bem, daí que o tal tsuru nasceu de um papel branco (rabiscado) e sem graça. Resolvi pintá-lo de giz de cera preto em alusão a Blackbird, uma das minhas músicas preferidas dos Beatles que andava grudada na minha rádio mental durante a semana que passou. Caiu bem, até porque o meu tsuru tem as asas meio tortas, que podem muito bem ser as tais asas quebradas cantadas pelo Paul. Veja só, inventei arte em cima da minha incapacidade de fazer um passarinho simétrico e admirável. Epic win, falaí.
Blackbird, por sua vez, me lembra um pássaro preto que o meu pai criava aqui em casa e que dava a cabeça pra fazermos cafuné quando nos aproximávamos da gaiola. Imagine aí e morra num coma por excesso de amor. Anham. Um dia chegamos perto da gaiola e ele estava quietinho, no mesmo canto em que vinha quando via gente se aproximando. Ele morreu assim, como quem queria um carinhozinho, uma atençãozinha. E esse é o momento em que você se joga no chão e chora, como eu, muito pirralha, fiz aquele dia. Fim da história. O tsuru é uma "homenagem" ao referido passarinho e ao passarinho dos Beatles que precisava aprender a voar mesmo com asas quebradas, que precisava enxergar mesmo com olhos fundos (cansados, talvez?). Porque ele passou a vida esperando por aquele momento, pra ser livre, pra voar, noite adentro, yadda yadda, assim como eu, você e todo mundo que precisa ir em frente mesmo que sem força às vezes, que precisa montar quebra-cabeças mesmo que faça por onde a vida ser mais simples. Blackbird, fly. Sim, que nos seja permitido voar ao invés de morrermos engaiolados em nossos traumas e medos esperando por algum tipo de afeto fortuito.
---
Providenciemos uma chuva bem bicha de tsurus coloridos nessa vida, faz favor.
Bem, daí que o tal tsuru nasceu de um papel branco (rabiscado) e sem graça. Resolvi pintá-lo de giz de cera preto em alusão a Blackbird, uma das minhas músicas preferidas dos Beatles que andava grudada na minha rádio mental durante a semana que passou. Caiu bem, até porque o meu tsuru tem as asas meio tortas, que podem muito bem ser as tais asas quebradas cantadas pelo Paul. Veja só, inventei arte em cima da minha incapacidade de fazer um passarinho simétrico e admirável. Epic win, falaí.
Blackbird, por sua vez, me lembra um pássaro preto que o meu pai criava aqui em casa e que dava a cabeça pra fazermos cafuné quando nos aproximávamos da gaiola. Imagine aí e morra num coma por excesso de amor. Anham. Um dia chegamos perto da gaiola e ele estava quietinho, no mesmo canto em que vinha quando via gente se aproximando. Ele morreu assim, como quem queria um carinhozinho, uma atençãozinha. E esse é o momento em que você se joga no chão e chora, como eu, muito pirralha, fiz aquele dia. Fim da história. O tsuru é uma "homenagem" ao referido passarinho e ao passarinho dos Beatles que precisava aprender a voar mesmo com asas quebradas, que precisava enxergar mesmo com olhos fundos (cansados, talvez?). Porque ele passou a vida esperando por aquele momento, pra ser livre, pra voar, noite adentro, yadda yadda, assim como eu, você e todo mundo que precisa ir em frente mesmo que sem força às vezes, que precisa montar quebra-cabeças mesmo que faça por onde a vida ser mais simples. Blackbird, fly. Sim, que nos seja permitido voar ao invés de morrermos engaiolados em nossos traumas e medos esperando por algum tipo de afeto fortuito.
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Providenciemos uma chuva bem bicha de tsurus coloridos nessa vida, faz favor.
Não houve, ultimamente, na história propagandística, qualquer produção que tenha me causado tanta emoção quanto o vídeo acima. Assim, Tim Maia de fundo musical, ♥frangão assado♥ como personagem principal. Mal aí, mas quase nem olhei pra Pepsi. Recordei-me dos domingos em que mamãe comprava tenros frangos na padaria para arrancar um sorriso do meu, então, infantil rosto. Bela época em que o referido alimento custava menos de dez reais e vinha, ainda, com os miúdos e um saquinho contendo um refinado acompanhamento que era preparado a partir da mistura de farinha e, muito provavelmente, gordura que pingava durante o assamento.
Felicidade simples, possível e envolta por uma casquinha deveras crocante.
Obrigada, Pepsi, por este momento incrível. Obrigada, universo, por ter conspirado para que eu estivesse na frente da TV cinco minutos antes desta propaganda ser veiculada, no intervalo da novela das sete a que mamãe assistia pouco antes de eu ir para a academia.
E sim, estou falando sério. Nada mais bonito que justiça sendo feita. Frangão ganhando seu espaço na mídia, no mundo e no coração dos consumidores de refrigerantes. Estou encantada. :~
Felicidade simples, possível e envolta por uma casquinha deveras crocante.
Obrigada, Pepsi, por este momento incrível. Obrigada, universo, por ter conspirado para que eu estivesse na frente da TV cinco minutos antes desta propaganda ser veiculada, no intervalo da novela das sete a que mamãe assistia pouco antes de eu ir para a academia.
E sim, estou falando sério. Nada mais bonito que justiça sendo feita. Frangão ganhando seu espaço na mídia, no mundo e no coração dos consumidores de refrigerantes. Estou encantada. :~

Ou melhor: sobre o Autuori.
Eu avisei. Desde sempre. Quer dizer, sempre não, porque eu rezei com muita fé em Lara para que a vinda dele fosse possível, porque acredito no potencial imenso deste profissional. Mas depois de cerca de um mês de Autuori sob o comando do Tricolor dos Pampas, eu já tava falando dele com desconfiança - e baixinho, para não despertar a ira dos fãs do, agora, ex-técnico Gremista. Sim, porque eu comentava, aqui e ali, que achava a postura dele mansa demais, calma demais diante de um time que fazia uma campanha lixo fora de casa e brilhante dentro dela. Isso é reconhecidamente medíocre, e qualquer apaixonado por futebol sabe disso. E o Autuori lá, agindo como um monge budista - ou o próprio Buda, se assim se torna mais visualizável a inabalabilidade do sujeito. Sempre se justificando, sempre com o mesmo discurso, sempre com aquela postura de lord inglês. Uma tranquilidade infinita que simplesmente não podia condizer com o andamento da coisa do jeito que ela estava. Essa pacificidade toda do Autuori significava, para mim, desleixo, descrença absoluta de que o seu time pudesse dar mais do que deu até semana passada, quando comandou o Tricolor pela última vez. Essa mansidão não estava certa. Nunca esteve. E eu tava lá, desconfiada disso, mas dando tempo ao tempo e acreditando - ou tentando acreditar - que se tratava de um "come quieto" que daqui a pouco mostraria ao mundo a que veio. Não comeu, não mostrou, mas seguiu quieto. Irritantemente quieto.
Tudo bem que o meu conhecimento futebolístico esteja bem aquém do que eu gostaria, mas se tem algo que conheço muito bem é a tal linguagem corporal humana. E o Autuori, amigo, estava sinalizando insatisfação - ou, no mínimo, qualquer coisa de muito estranha e não identificável, porém perceptível - desde o dia em que pisou no Grêmio. Será por ter se arrependido de ter deixado o Al-Rayyan? Será por algum desentendimento ou antipatia com a direção? Aliás, sou só eu que tenho essa impressão de que há um muro formado por algo muito confuso e nublado entre direção e os últimos técnicos gremistas? Será que ao encarar o elenco Autuori ficou tão desacreditado, tão sem perspectiva?
Provavelmente foi tudo isso. Provavelmente não foi nada disso. Provavelmente é só o jeito dele trabalhar que seja assim, e aí rola um terrível desencontro de timing entre personalidade do técnico e necessidades da equipe, uma vez que a última precisava, indiscutivelmente, de um braço firme, que não admitisse a postura medrosa e acuada de um Grêmio completamente irreconhecível e descaracterizado.
Não sei, não dá pra saber, não é mais tempo de especular, até porque o lord continou inabalável, incorruptível até o último minuto nas dependências gremistas. E aqui não falo da sua admirável qualidade de ser educado ou objetivo. Falo, sim, que seis meses passaram e o Autuori entrou e saiu do Grêmio como um suspirinho de virgem, quando se esperava dele um furacão, uma sacodida, uma ordem na casa. Falo por mim, que via nele não só a promessa de uma classificação na Libertadores, mas todo o resgate da alma gremista que, há um tempo, anda enfiada em qualquer lugar que não é o coração e as chuteiras dos jogadores deste plantel.
Sabendo, inclusive, que o elenco não ajudou tanto - e isso é assunto para um outro post - recolho-me e espero pela contratação do próximo técnico, que precisará, antes de tudo, vestir a camisa - diferente de só usá-la como uniforme ou como enfeite - e assimilar a garra a que o tão falado "gremismo" alude, para que isso seja resgatado entre os demais integrantes do time. A culpa do fracasso da equipe pode não ser inteiramente do técnico, mas a maneira como ela se comporta é, definitivamente, um espelho do seu líder. O Grêmio de 2009 até agora foi, tal qual foi o Autuori, uma equipe morna, educada, contida e contente com o que viesse. Não é isso o que o Gremista espera ou quer. Chega dessa moribundice, Grêmio. Chega!
---
Por outro lado isso é lindo de se ver. ♥
Eu avisei. Desde sempre. Quer dizer, sempre não, porque eu rezei com muita fé em Lara para que a vinda dele fosse possível, porque acredito no potencial imenso deste profissional. Mas depois de cerca de um mês de Autuori sob o comando do Tricolor dos Pampas, eu já tava falando dele com desconfiança - e baixinho, para não despertar a ira dos fãs do, agora, ex-técnico Gremista. Sim, porque eu comentava, aqui e ali, que achava a postura dele mansa demais, calma demais diante de um time que fazia uma campanha lixo fora de casa e brilhante dentro dela. Isso é reconhecidamente medíocre, e qualquer apaixonado por futebol sabe disso. E o Autuori lá, agindo como um monge budista - ou o próprio Buda, se assim se torna mais visualizável a inabalabilidade do sujeito. Sempre se justificando, sempre com o mesmo discurso, sempre com aquela postura de lord inglês. Uma tranquilidade infinita que simplesmente não podia condizer com o andamento da coisa do jeito que ela estava. Essa pacificidade toda do Autuori significava, para mim, desleixo, descrença absoluta de que o seu time pudesse dar mais do que deu até semana passada, quando comandou o Tricolor pela última vez. Essa mansidão não estava certa. Nunca esteve. E eu tava lá, desconfiada disso, mas dando tempo ao tempo e acreditando - ou tentando acreditar - que se tratava de um "come quieto" que daqui a pouco mostraria ao mundo a que veio. Não comeu, não mostrou, mas seguiu quieto. Irritantemente quieto.
Tudo bem que o meu conhecimento futebolístico esteja bem aquém do que eu gostaria, mas se tem algo que conheço muito bem é a tal linguagem corporal humana. E o Autuori, amigo, estava sinalizando insatisfação - ou, no mínimo, qualquer coisa de muito estranha e não identificável, porém perceptível - desde o dia em que pisou no Grêmio. Será por ter se arrependido de ter deixado o Al-Rayyan? Será por algum desentendimento ou antipatia com a direção? Aliás, sou só eu que tenho essa impressão de que há um muro formado por algo muito confuso e nublado entre direção e os últimos técnicos gremistas? Será que ao encarar o elenco Autuori ficou tão desacreditado, tão sem perspectiva?
Provavelmente foi tudo isso. Provavelmente não foi nada disso. Provavelmente é só o jeito dele trabalhar que seja assim, e aí rola um terrível desencontro de timing entre personalidade do técnico e necessidades da equipe, uma vez que a última precisava, indiscutivelmente, de um braço firme, que não admitisse a postura medrosa e acuada de um Grêmio completamente irreconhecível e descaracterizado.
Não sei, não dá pra saber, não é mais tempo de especular, até porque o lord continou inabalável, incorruptível até o último minuto nas dependências gremistas. E aqui não falo da sua admirável qualidade de ser educado ou objetivo. Falo, sim, que seis meses passaram e o Autuori entrou e saiu do Grêmio como um suspirinho de virgem, quando se esperava dele um furacão, uma sacodida, uma ordem na casa. Falo por mim, que via nele não só a promessa de uma classificação na Libertadores, mas todo o resgate da alma gremista que, há um tempo, anda enfiada em qualquer lugar que não é o coração e as chuteiras dos jogadores deste plantel.
Sabendo, inclusive, que o elenco não ajudou tanto - e isso é assunto para um outro post - recolho-me e espero pela contratação do próximo técnico, que precisará, antes de tudo, vestir a camisa - diferente de só usá-la como uniforme ou como enfeite - e assimilar a garra a que o tão falado "gremismo" alude, para que isso seja resgatado entre os demais integrantes do time. A culpa do fracasso da equipe pode não ser inteiramente do técnico, mas a maneira como ela se comporta é, definitivamente, um espelho do seu líder. O Grêmio de 2009 até agora foi, tal qual foi o Autuori, uma equipe morna, educada, contida e contente com o que viesse. Não é isso o que o Gremista espera ou quer. Chega dessa moribundice, Grêmio. Chega!
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Por outro lado isso é lindo de se ver. ♥
Segundo o horóscopo chinês, 2009 é o ano do Boi. Xing-lings malditos só esqueceram de avisar que o ideograma de boi corresponde¹, em algum dialeto remoto falado nas montanhas de Nagorno-Karabakh (!), a outros três vocábulos que podem ser assim traduzidos para o Português: guepardo cego hiperativo. É, não basta ser o mais estupidamente veloz do mundo animal, tem que ter o plus de ser indomável, desesperado, sem rumo, apavorado. Agora tudo faz sentido nessa vida.
Veja, sei que o assunto é deveras repetitivo aqui no blog, mas é que não canso de dizer o quanto o ano de 2009 está ridiculamente corrido. Ainda ecoavam em meus ouvidos as marchinhas carnavalescas do Galinho da Madrugada brasiliense quando, semana passada, o dia das crianças me deu mais um tapinha nas costas - desses que as datas comemorativas do ano têm me dado com a finalidade de mostrar que o ano tá voando loucamente. Loucamente feito o tal guepardo que, não bastasse ser cego (no meio de um tiroteio, pra coisa ficar ainda mais emocionante) e hiperativo, ainda foi pego de surpresa em uma grave e desproporcional diarreia num local em que não se sentia à vontade para defecar, necessitando assim se deslocar para outro lugar com aquela urgência sutil intrínseca a um guepardo com diarreia. Visualize, assim, o desespero do animal; como corre a besta!
Aliás, quase bati o carro outro dia num susto ao ver um piscante colorido de Boas Festas natalino que adorna uma quadra comercial do Sudoeste. Boas Festas, gente. Natal.Super frango assado folia Peru, Chester e nozes, jingle bells. Eu nem terminei de guardar os enfeites do Natal passado, sabe?
Espero voltar a comentar esse assunto apenas na retrospectiva 2009 - o que não deve levar mais que o tempo de um peido para acontecer, nesse andar da carruagem; ops, do guepardo. Você entendeu.
---
¹- se você foi lá perguntar ao seu parente que por acaso mora ali em Nagorno-Karabakh se o que eu disse é verdade e ele disse que não, parabéns! Você acabou de descobrir que me utilizei de prolixidade ficcional meramente ilustrativa. (y) ¬¬
Veja, sei que o assunto é deveras repetitivo aqui no blog, mas é que não canso de dizer o quanto o ano de 2009 está ridiculamente corrido. Ainda ecoavam em meus ouvidos as marchinhas carnavalescas do Galinho da Madrugada brasiliense quando, semana passada, o dia das crianças me deu mais um tapinha nas costas - desses que as datas comemorativas do ano têm me dado com a finalidade de mostrar que o ano tá voando loucamente. Loucamente feito o tal guepardo que, não bastasse ser cego (no meio de um tiroteio, pra coisa ficar ainda mais emocionante) e hiperativo, ainda foi pego de surpresa em uma grave e desproporcional diarreia num local em que não se sentia à vontade para defecar, necessitando assim se deslocar para outro lugar com aquela urgência sutil intrínseca a um guepardo com diarreia. Visualize, assim, o desespero do animal; como corre a besta!
Aliás, quase bati o carro outro dia num susto ao ver um piscante colorido de Boas Festas natalino que adorna uma quadra comercial do Sudoeste. Boas Festas, gente. Natal.
Espero voltar a comentar esse assunto apenas na retrospectiva 2009 - o que não deve levar mais que o tempo de um peido para acontecer, nesse andar da carruagem; ops, do guepardo. Você entendeu.
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¹- se você foi lá perguntar ao seu parente que por acaso mora ali em Nagorno-Karabakh se o que eu disse é verdade e ele disse que não, parabéns! Você acabou de descobrir que me utilizei de prolixidade ficcional meramente ilustrativa. (y) ¬¬
Estimado,
Espero que esta mensagem chegue em um momento em que o seu espírito já tenha encontrado alento para os seus tormentos. Soube através de contatos em comum que você esteve mundo afora em busca de novas formas de amor sem a devida orientação e que por isso andou contraindo três tipos raros de hemorróidas¹ em suas pregas anais. Compadeço-me da sua dor, sem ousar imaginá-la. Venho através deste singelo e-mail dizer-lhe que outro dia, por sorte, tomei conhecimento de que um jumento de posse do vizinho da fazenda de papai esteve sofrendo de um destes três tipos da doença que lhe acometeu. O veterinário que o atendeu obteve êxito total no tratamento - veja só, outro dia vimos o referido jumentinho feliz e quase tão saltitante quanto uma gazela, defecando feliz pelos pastos da propriedade rural de seu dono. Então eu gostaria de demonstrar todo o apreço que tenho pela sua pessoa deixando aqui o contato deste profissional que certamente estará a postos para analisar o seucu caso e dispensar-lhe o que há de mais moderno no tratamento disponível para suas enfermidades.
Finalizo contando-lhe que na feira de domingo passei em frente à barraca do Seu João das galinhas pretas², que muito educadamente mandou-lhe lembranças e disse que estava dando sua falta há alguns meses. Não sei, aliás, como ele soube que nos conhecíamos, mas o que é Brasília senão este ovo de codorna no qual estamos todos presos e sempre conhecendo gente em comum, não é verdade? Disse-me ele que és um de seus maiores clientes, perdendo apenas para dona Laura Catimbozeira, grande ícone local de trabalhos de mau-olhado.
Estimo melhoras. Dê notícias.
Um forte abraço,
Stella
É exatamente o tipo do e-mail escrito logo depois de saber que outrem, desafeto meu, bicho ruim da gota serena, se fodeu e se rasgou bonito com um imenso e grosso tronco de sequóia. Eu não sou bem o tipo da pessoa que fica urubuzando os acontecimentos da vida de gente pra quem eu dou menos que merda, mas se a notícia chega tão desesperadamente aos meus ouvidos, eu não sou santa o suficiente para ignorá-la, né?
Resta coragem e maldade suficientes para enviá-lo. Tenho rezado todos os dias ajoelhada no milho pedindo ao Senhor que nunca me deixe acessar o Gmail alcoolizada ou numa TPM full throttle, situações em que eu fatalmente acabaria clicando no botão "enviar". E enviar isso seria de uma beleza insuportável ao resto do univeso. O mundo ficaria coloridinho demais depois disso, sabe? A velha história de "dia da caça, dia do caçador" se materializando. Creio que a tal justiça divina goste dessas coisas, mas a situação vivenciada por outrem já falou por si. Posso, portanto, como boa cristã que sou (oi?) deixar a minha satisfação quietinha no meu coração, sim? Acho ético.
(Agora vem relar na minha vidinha, vem, seu verme de quinta categoria! Com pregas arrebentadas e tudo? Cai pra cá, infeliz!)
---
¹ - fica explicado que não tenho nada contra pessoas com a referida doença, e a utilizei apenas para ilustrar que outrem sofreu um baque que teria o impacto de algo suficientemente calibroso a ponto de ferir-lhe ou mesmo arrebentar-lhe as pregas anais. Entendido, né? Né.
² - galinha preta, daquelas que outrem usa para despacho, trabalho ou coisa ruim do tipo.
Espero que esta mensagem chegue em um momento em que o seu espírito já tenha encontrado alento para os seus tormentos. Soube através de contatos em comum que você esteve mundo afora em busca de novas formas de amor sem a devida orientação e que por isso andou contraindo três tipos raros de hemorróidas¹ em suas pregas anais. Compadeço-me da sua dor, sem ousar imaginá-la. Venho através deste singelo e-mail dizer-lhe que outro dia, por sorte, tomei conhecimento de que um jumento de posse do vizinho da fazenda de papai esteve sofrendo de um destes três tipos da doença que lhe acometeu. O veterinário que o atendeu obteve êxito total no tratamento - veja só, outro dia vimos o referido jumentinho feliz e quase tão saltitante quanto uma gazela, defecando feliz pelos pastos da propriedade rural de seu dono. Então eu gostaria de demonstrar todo o apreço que tenho pela sua pessoa deixando aqui o contato deste profissional que certamente estará a postos para analisar o seu
Finalizo contando-lhe que na feira de domingo passei em frente à barraca do Seu João das galinhas pretas², que muito educadamente mandou-lhe lembranças e disse que estava dando sua falta há alguns meses. Não sei, aliás, como ele soube que nos conhecíamos, mas o que é Brasília senão este ovo de codorna no qual estamos todos presos e sempre conhecendo gente em comum, não é verdade? Disse-me ele que és um de seus maiores clientes, perdendo apenas para dona Laura Catimbozeira, grande ícone local de trabalhos de mau-olhado.
Estimo melhoras. Dê notícias.
Um forte abraço,
Stella
É exatamente o tipo do e-mail escrito logo depois de saber que outrem, desafeto meu, bicho ruim da gota serena, se fodeu e se rasgou bonito com um imenso e grosso tronco de sequóia. Eu não sou bem o tipo da pessoa que fica urubuzando os acontecimentos da vida de gente pra quem eu dou menos que merda, mas se a notícia chega tão desesperadamente aos meus ouvidos, eu não sou santa o suficiente para ignorá-la, né?
Resta coragem e maldade suficientes para enviá-lo. Tenho rezado todos os dias ajoelhada no milho pedindo ao Senhor que nunca me deixe acessar o Gmail alcoolizada ou numa TPM full throttle, situações em que eu fatalmente acabaria clicando no botão "enviar". E enviar isso seria de uma beleza insuportável ao resto do univeso. O mundo ficaria coloridinho demais depois disso, sabe? A velha história de "dia da caça, dia do caçador" se materializando. Creio que a tal justiça divina goste dessas coisas, mas a situação vivenciada por outrem já falou por si. Posso, portanto, como boa cristã que sou (oi?) deixar a minha satisfação quietinha no meu coração, sim? Acho ético.
(Agora vem relar na minha vidinha, vem, seu verme de quinta categoria! Com pregas arrebentadas e tudo? Cai pra cá, infeliz!)
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¹ - fica explicado que não tenho nada contra pessoas com a referida doença, e a utilizei apenas para ilustrar que outrem sofreu um baque que teria o impacto de algo suficientemente calibroso a ponto de ferir-lhe ou mesmo arrebentar-lhe as pregas anais. Entendido, né? Né.
² - galinha preta, daquelas que outrem usa para despacho, trabalho ou coisa ruim do tipo.
Emotional rescue
9/30/2009 11:54:00 PM chororô, cotidiano, dias bichas, divagando, pequenas coisas
Não adianta, né. O stress bate, a pessoa tenta manter o equilíbrio - mesmo que de forma apenas superficial - "tá tudo bem, tá tudo bem, tá tudo bem" rolando em loop em cada fibra do ser numa tentativa desesperada de sabotar a própria mente... mas não adianta. O corpo grita, o corpo implora, e quando você não cuida de fazer isso por conta própria - extravazar, por assim dizer - tudo bem, ele dá um jeito de transbordar a loucura pra não ter que se desintegrar de vez em uma explosão de pele, músculos, vísceras e uma alma escangalhada.
Neste momento, uma espinha gigantescamente imensa é a forma do meu corpo chamar a minha atenção para algo que não está certo dentro de mim. Uma bola imensa, vermelha, praticamente um broto de nariz, uma mitose da minha face, é o sinal de fumaça que o meu corpo emite ao espelho para que eu cuide, enfim, do que quer que o esteja maltratando tanto e eu não tenha conseguido vomitar de vez.
Se bem que se a acne for proporcional às merdas que andam rolando esse ano, devo dizer-lhes que eu deveria ser um gigantesco exemplar ambulante de glândula sebácea entupida de sebo. Digo, gigantesco para uma espinha, pois bem sei que para a humanidade passei perto de ser uma anã, do alto do meu metro e cinquenta e três (e meio) de altura. Vocês entenderam.
Enfim, deixa eu procurar dar jeito nisso e evitar, assim, posts extremamente nojentos como esse. Volto já.
Neste momento, uma espinha gigantescamente imensa é a forma do meu corpo chamar a minha atenção para algo que não está certo dentro de mim. Uma bola imensa, vermelha, praticamente um broto de nariz, uma mitose da minha face, é o sinal de fumaça que o meu corpo emite ao espelho para que eu cuide, enfim, do que quer que o esteja maltratando tanto e eu não tenha conseguido vomitar de vez.
Se bem que se a acne for proporcional às merdas que andam rolando esse ano, devo dizer-lhes que eu deveria ser um gigantesco exemplar ambulante de glândula sebácea entupida de sebo. Digo, gigantesco para uma espinha, pois bem sei que para a humanidade passei perto de ser uma anã, do alto do meu metro e cinquenta e três (e meio) de altura. Vocês entenderam.
Enfim, deixa eu procurar dar jeito nisso e evitar, assim, posts extremamente nojentos como esse. Volto já.

stella regina. 20 e poucos. nascida e criada em brasília. gremista, adoradora de futebol (apesar de saber bem menos sobre isso do que gostaria). ex-bailarina, apaixonada por dança. ruiva de salão. rock'n'roll, chill out & samba de raiz. bibliotecas, botecos & pubs. porto alegre asap. heineken. guinness. vodka. capuccino. escreve e fala muita merda. "it girl. rag doll." é o subtítulo de uma das minhas músicas preferidas do radiohead, "a wolf at the door". desabafos, opiniões, chacota, palavrões em abundância, sarcasmo e cretinices randômicas, sem a menor das pretensões. now feeling: 
